No campo, ela foi forçada a trabalhar sob o comando direto do infame médico Josef Mengele, conhecido como o ?Anjo da Morte?.
Gisella Perl (1907–1988) foi uma ginecologista judia húngara que sobreviveu ao Holocausto após ser deportada para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau durante a Segunda Guerra Mundial. Sua história é marcada por coragem, tragédia e decisões éticas dilacerantes diante do terror nazista. No campo, ela foi forçada a trabalhar sob o comando direto do infame médico Josef Mengele, conhecido como o “Anjo da Morte”.
Nascida em 1907 na então Áustria-Hungria, Gisella era uma aluna brilhante e, mesmo com restrições antissemitas, tornou-se médica — uma das poucas mulheres judias a obter tal formação na época. Ela construiu uma carreira sólida como ginecologista, casou-se e teve dois filhos. Em 1944, Gisella e sua família foram deportados para Auschwitz. Ao chegar ao campo, foi separada de seu marido e filho (ambos mortos posteriormente) e designada para trabalhar como médica dos prisioneiros, uma posição cruelmente estratégica para os nazistas.
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A função forçada sob Josef Mengele
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Josef Mengele, oficial da SS e médico de Auschwitz, realizava experimentos médicos sádicos e pseudocientíficos com mulheres grávidas, gêmeos e pessoas com deficiência. Ele usava os médicos judeus prisioneiros como auxiliares, muitas vezes forçando-os a colaborar sob ameaça de morte.
Gisella Perl foi obrigada a identificar prisioneiras grávidas. Inicialmente, sem saber das reais intenções dos nazistas, ela informava os casos de gestação. Mas logo descobriu que as mulheres grávidas eram enviadas diretamente para a câmara de gás ou usadas como cobaias vivas nos experimentos de Mengele — o que levava à morte certa.
A escolha impossível: salvar vidas através de abortos clandestinos
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Fotos: Reprodução/Google
Diante dessa realidade brutal, Gisella tomou uma decisão extremamente difícil: começou a realizar abortos clandestinos nas prisioneiras grávidas para salvar suas vidas. Sem instrumentos, medicamentos ou condições mínimas de higiene, ela realizava os procedimentos com as próprias mãos, às vezes em chão de terra, sob risco constante de ser descoberta e executada. Ela mesma narrou que salvou centenas de mulheres dessa forma, mesmo carregando a dor e a culpa por essas intervenções. Em suas palavras:
“Cada nascimento era uma sentença de morte. Cada criança nascida seria imediatamente morta pelos guardas. Eu não podia permitir isso.” Após a libertação de Auschwitz em 1945, Gisella Perl passou um tempo em campo de deslocados. Completamente devastada, tentou o suicídio. Sobreviveu e foi para os Estados Unidos em 1947. Lá, foi investigada pelas autoridades americanas, sob suspeita de ter colaborado com os nazistas — o que foi refutado graças ao depoimento de sobreviventes que a consideravam uma heroína silenciosa.
Mais tarde, recebeu cidadania americana e reconstruiu sua vida. Trabalhou no Mount Sinai Hospital, em Nova York, e tornou-se uma das ginecologistas mais respeitadas da cidade. Ela também escreveu um livro de memórias impactante: “I Was a Doctor in Auschwitz” (Fui médica em Auschwitz), publicado em 1948. A história de Gisella Perl é marcada por dilemas éticos extremos, coragem silenciosa e resistência. Mesmo sob coação direta de Josef Mengele, ela escolheu não colaborar com os crimes, salvando vidas da única forma possível naquele ambiente de horror.
Ela representa não apenas a luta feminina dentro do Holocausto, mas também o papel trágico de médicos e cientistas forçados a operar sob os regimes mais sombrios da história humana.
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