05 de Dezembro de 2025

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Política - 08/11/2025

Brasil redefine o que é ser sustentável: a nova taxonomia que transforma a linguagem da Economia Verde

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Foto: Reprodução/Internet

Nesse cenário, a comunicação assume um papel essencial: traduzir o complexo, aproximar o cidadão das decisões que moldam o futuro e transformar conhecimento técnico em ação concreta.

O Brasil vive um momento decisivo na agenda climática global. A crise ambiental, antes tratada como tema técnico e distante do cotidiano, agora ganha urgência e impacto direto sobre a economia, o trabalho e a vida das pessoas. Nesse cenário, a comunicação assume um papel essencial: traduzir o complexo, aproximar o cidadão das decisões que moldam o futuro e transformar conhecimento técnico em ação concreta.

 

A recém-lançada Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), liderada pelo Ministério da Fazenda, vai além de um catálogo de normas. Ela inaugura uma nova linguagem de sustentabilidade, capaz de redefinir como governo, empresas, investidores e sociedade entendem e praticam o conceito de “atividade sustentável”.

 

TSB é um sistema que classifica quais atividades econômicas podem ser consideradas sustentáveis, com base em critérios científicos e objetivos. O instrumento orienta empresas e investidores a identificar investimentos que realmente trazem benefícios ambientais e sociais, reduzindo o risco do chamado greenwashing, quando ações são anunciadas como sustentáveis apenas no discurso. Ao mesmo tempo, a ferramenta busca mobilizar fluxos de capital para atividades que promovam uma economia de baixo carbono e socialmente justa.

 

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Entre seus objetivos estratégicos estão mobilizar financiamento para atividades com impactos positivos, promover o avanço tecnológico com base em sustentabilidade e garantir transparência sobre os fluxos de finanças verdes. Seus critérios abrangem desde mitigação e adaptação às mudanças climáticas até o uso responsável dos recursos naturais, incentivo à economia circular e geração de trabalho decente, com foco na redução das desigualdades regionais, raciais e de gênero.

 

Mais do que um instrumento técnico, a taxonomia representa uma virada cultural. Ao transformar “sustentável” de palavra vaga em conceito mensurável, ela exige uma nova forma de comunicar. A partir de agora, a comunicação da sustentabilidade precisa ser mais precisa, verificável e comprometida com resultados reais.

 

 

Essa nova abordagem também amplia o desafio da comunicação: é preciso traduzir o conteúdo técnico da TSB para diferentes públicos — desde empresas e governos até comunidades locais e grupos em situação de vulnerabilidade. A comunicação deve mostrar não apenas promessas, mas ações concretas, evidências e métricas de impacto. Mais do que divulgar boas intenções, trata-se de sustentar o engajamento contínuo e de conectar ciência, mercado e sociedade.

 

Para profissionais e ativistas da comunicação social, especialmente aqueles que atuam com comunidades ribeirinhas, mulheres amazônicas e populações vulneráveis, o momento é estratégico. A TSB pode se tornar uma ferramenta de justiça climática, ao incluir critérios sociais e territoriais na definição do que é sustentável. Isso abre espaço para que vozes historicamente invisibilizadas participem da transição ecológica e sejam protagonistas das novas políticas públicas e modelos econômicos.

 

No entanto, os desafios são grandes. A complexidade técnica da taxonomia ainda é uma barreira para o público em geral. Além disso, há uma assimetria de informação: grandes empresas têm mais recursos para interpretar e aplicar os critérios do que comunidades locais ou pequenos empreendedores. Também há o risco de um “greenwashing 2.0”, em que atividades parcialmente sustentáveis sejam apresentadas como totalmente verdes. Nesse contexto, o papel da comunicação crítica e independente é fundamental para acompanhar, fiscalizar e tornar transparentes as práticas das organizações.

 

Fotos: Reprodução/Internet

 

A nova taxonomia também exige inovação na forma de comunicar. Reportagens explicativas, podcasts, vídeos curtos e conteúdos interativos podem ajudar a aproximar o tema da população. Mostrar como a TSB funciona, quem participa de sua governança, quais empresas estão aderindo e quais setores ainda precisam avançar são caminhos eficazes para engajar o público e construir uma cultura de sustentabilidade participativa.

 

A Taxonomia Sustentável Brasileira é mais do que uma ferramenta de classificação: é um marco simbólico de transformação. Ela redefine a maneira como o país compreende a sustentabilidade, conectando economia, meio ambiente e justiça social. Cabe à comunicação o papel de tornar essa nova linguagem acessível, compreensível e inspiradora.

 

tecnicidade em mobilização, e discurso em prática, é o desafio da nova era da sustentabilidade. Para jornalistas, educadores e comunicadores sociais, a tarefa é urgente: aproximar a taxonomia dos territórios, das comunidades e das pessoas que mais sentem os efeitos da crise climática. Afinal, só há sustentabilidade verdadeira quando ela é compreendida, vivida e compartilhada por todos.

 
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Fonte:


Ministério da Fazenda — Secretaria de Política Econômica (2025); Comitê Técnico da Taxonomia Sustentável Brasileira; Relatórios do Banco Central e da ONU Meio Ambiente (UNEP, 2025).
 

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